Entrevista com Maria Cristina Weyland Vieira - Presidente da CNRPPN

05 Jul 2017
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Maria Cristina  Weyland Vieira
Presidente da Confederação Nacional das RPPNs 
 

Qual tem sido o papel da CNRPPN?

A Confederação Nacional de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (CNRPPN) é a instância máxima de representação em nível nacional dessa importante modalidade de Unidade de Conservação. Desde a sua fundação em 2001, a CNRPPN vem desenvolvendo diversas iniciativas com o objetivo de aperfeiçoar os mecanismos de apoio em prol da conservação voluntária da nossa biodiversidade em terras privadas. No Brasil já são 1.398 reservas que juntas protegem  767.112,97 hectares em todos os estados e biomas brasileiros.

O papel da CNRPPN tem sido buscar contemplar os objetivos declarados no seus Estatutos tais como:

  • Fomentar o reconhecimento, consolidação, proteção e sustentabilidade das RPPNs;
  • Fortalecer a organização e a mobilização das associações de RPPNs;
  • Aproximar e integrar as RPPNs em nível nacional, em consonância com os objetivos das associações estaduais e regionais;
  • Buscar e promover o reconhecimento e a concessão de benefícios e incentivos para as RPPNs;
  • Promover e consolidar a articulação das associações, visando o fortalecimento da conservação da biodiversidade no Brasil;
  • Promover e participar de eventos com a finalidade de integrar as associações, bem como difundir informações sobre as estratégias de conservação da biodiversidade em terras privadas no Brasil.

 

Quais são as prioridades da Confederação?

No Plano de Ação da nova gestão para o biênio 2017 – 2018  propomos: 

1. Prosseguir com o projeto de Fortalecimento da CNRPPN com base em programas e ações já realizados e buscando novas abordagens para ampliar o envolvimento dos RPPNistas e potenciais parceiros.

2. Eventos:

Promoção de Eventos em Parcerias:

2017:  Fórum Nacional das RPPNs – Brasilia –  29 Junho 2017 

2018:  V  Congresso Brasileiro de RPPN.

Participação em Eventos  (através de palestras /  simpósios / mesas redondas / eventos paralelos):

2017:  

AVISTAR / SP

XIX Congresso Internacional de Botânica/ China

14º Congresso  Nacional de Meio Ambiente de Poços de Caldas  

8º  Seminário ARPEMG – Caxambu – Outubro 2017

2018:

Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação /CBUC  

Congresso Latino – Americano de Botânica   

III Congresso Latino - Americano de Áreas Protegidas

3. Promoção do Programa de Desenvolvimento do Turismo Sustentável em RPPN – ProEcotur-RPPN desenvolvido pela Diretoria anterior.

4. Articulação e representação da CNRPPN em COLEGIADOS: Alianças  -  Conselhos  Ucs – Outros Conselhos -   Fóruns – Coalisões:

Nacionais:

  • Coalizão Brasil, Clima, Florestas e Agricultura
  • Conselho RPPN SESC Pantanal
  • Rede Mata Atlântica
  • Aliança da Caatinga
  • Comitê RPPN ICMBIO
  • Conselho Nacional da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica   
  • Conselho Brasileiro do Programa “Homem e Biosfera”
  • CONAMA
  • CD FNMA

Internacionais :

  • Alianza de Redes LatinoAmericanas de Conservación Privada
    • International Land Conservation Network 2016
  • Comissão Internacional de Areas Protegidas da IUCN
    • Major Groups Partnership on Forests (MGPoF)  - Grupo Majoritário de Florestas da ONU  
  • Global Forest Coalition
  • COBRAMAB/Unesco

5. Interações com Instituições Governamentais e Não – Governamentais através de Parcerias e Convênios : ICMBIo  - Diretoria de áreas Protegidas da Secretaria de Biodiversidade e Floresta do Ministério do Meio Ambiente – DAP/SBF-MMA – Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza  - FUNBIO   -  IUCN / Comitê Brasileiro  - Fundação SOS Mata Atlântica – Conservação Internacional  - Natureza Conservancy – Instituto BioAtlântica.

6. Monitoramento e Promoção / Apoio – Advocacy do Projeto de Lei RPPN - PL 1.548/2015 na Camara Federal de Deputados.

7. Manutenção e Alimentação do SITE RPPN Web e CADASTRO NACIONAL DE RPPN - Painel de Indicadores.

 

Qual o principal desafio de um Presidente à frente da CNRPPN e, mais particularmente, para essa gestão da qual você é presidente?

Introduzo a resposta a esta questão citando a análise efetuada pelo colega Angelo Simões:

“O maior desafio para qualquer presidente da CNRPPN será sempre a articulação dos diferentes tipos atores distribuídos em diferentes estados e biomas: proprietários de RPPNs (pessoas físicas e jurídicas), poder público (federal, estadual e municipal), academia, profissionais liberais, organizações não governamentais, iniciativa privada, entre outros. Existem muitos conflitos de ego e de interesses de natureza ideológica, política, econômica, social e conservacionista que necessitam ser permanentemente mediados e trabalhados a fim de que se consiga estabelecer um consenso mínimo entre as partes. Nesse processo de articulação os grandes avanços tecnológicos relacionados a internet e as redes sociais tem contribuído significativamente para a aproximação e interação desses diferentes tipos de atores em escalas muito maiores às anteriormente observadas”.

Neste sentido considero como meus principais desafios:

  • Estimular um trabalho em equipe que envolva os colegas representantes da Nova Gestão, seja, os membros da Diretoria Colegiada, das Diretorias Temáticas , do Conselho Fiscal e do Conselho Consultivo.
  • Fortalecer as Associações de RPPNs que estão atuando e apoiar aquelas que estejam por ser reativadas ou criadas.
  • Promover a realização de eventos e mesmo de  simposios – mesas redondas - palestras e outros tipois de sessões integradas em eventos organizados  que versem sobre o tema das RPPNs e  Areas Protegidas Privadas .
  • Empenhar-se em que haja um representante da CNRPPN em eventos importantes especialmente os que focalizem areas protegidas e conservação em terras privadas.
  • Acompanhar – Monitorar a discussão e sonhada aprovação do Projeto de Lei de RPPNs na Camara de Deputados em Brasília.
  • Articular a representação da CNRPPN em Alianças – Conselhos - - Fóruns – Redes e outras formas de  Coalisões Ambientalistas.
  • Divulgar a Causa das RPPNs demonstrando a relevancia desta categoria de area protegida para a proteção dos remanescentes – sobreviventes de ecossistemas naturais brasileiros e conservação da Biodiversidade.

 

A confederação pretende firmar parcerias e convênios com outras Instituições?

A confederação necessita ampliar os seus horizontes e a sua rede de parceiros, buscando se aproximar de pessoas ou organizações que possuam real compromisso com a causa da conservação. Como confederação devemos entender cada vez mais que as RPPNs correspondem apenas a uma das estratégias de conservação e que essa necessita estar cada vez mais integrada com outras iniciativas que contribuam diretamente para a conservação da biodiversidade brasileira. 

A CNRPPN valoriza muito as parcerias e já identificamos diversas instituições governamentais e não-governamentais que apresentam grande potencial para o estabelecimento de parcerias e convênios tais como:  ICMBIo  - Diretoria de áreas Protegidas da Secretaria de Biodiversidade e Floresta do Ministério do Meio Ambiente – DAP/SBF-MMA – Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza  - FUNBIO   -  IUCN / Comitê Brasileiro  - Fundação SOS Mata Atlântica – Conservação Internacional  - Natureza Conservancy – Instituto BioAtlântica. Além destas, acreditamos que existem outras instituições que poderiam ser parceiras e isso estará no radar da nova gestão.

  

Como será a relação com as Instituições Governamentais?

Pretendemos desenvolver a melhor relação possível com as Instituições Governamentais como de fato já está sendo concretizado quando da realização do I Fórum de RPPNs em Brasília em que a CNRPPN foi parceira do ICMBIo na consecução deste importante evento.

A  CNRPPN deve se aproximar cada vez mais do MMA e ICMBio  com o intuito de fortalecer o programa federal de RPPNs, visando o acompanhamento dos processos de criação e aprovação de Planos de Manejo e promover eventos conjuntos em parceria como o I Fórum Nacional das RPPNs.

Em relação aos Órgãos Estaduais e Municipais de Meio Ambiente a CNRPPN pretende dar continuidade á interação já realizada quando dos vários encontros realizados entre representantes das OEMAS e da CNRPPN e suas Associações.

    

Considerações Finais:

Gostaria de citar o depoimento do colega Angelo Simões que considero importante para o movimento RPPNista:

“O movimento RPPNista ainda carece de  apoio e de reconhecimento pelo seu esforço de conservação voluntária nas esferas nacional, estadual e municipal. Por se tratar de uma modalidade de Unidade de Conservação de natureza particular, essa acaba não sendo devidamente priorizada em nível de programas de conservação desenvolvidos por órgãos ambientais e de governo. Essa ausência de apoio e de reconhecimento acaba refletindo diretamente no nível de interesse dos proprietários de áreas verdes para a criação de novas reservas e de motivação daqueles já possuem uma reserva.”

Neste sentido é fundamental promovermos, conforme proposto pelo colega Angelo o estabelecimento de políticas públicas e de iniciativas inteligentes e inovadoras que contribuam de forma afetiva e efetiva para o fortalecimento do movimento.

Gostaria de agradecer as contribuições que recebi na elaboração da entrevista: Angela Pelin,  Angelo Guimarães Simões, José Monsores e Lisiane Becker.

 

Maria Cristina  Weyland Vieira

Geógrafa com mestrado em geociências e doutorado  em engenharia de produção, títulos obtidos pela Universidade Federal  do Rio de Janeiro. A dissertação de mestrado e a tese de doutorado  áreas protegidas no Brasil. Desde o início da carreira vem atuando como consultora ambiental e coordenadora de projetos ambientais no Brasil. Participou de vários eventos da ONU representando ONGs brasileiras integrando-se a coalizões internacionais. Em 2016  foi aprovada como membro da Comissão Internacional de Áreas Protegidas da IUCN. Atualmente  atua a frente da diretoria de 3 ONGs ambientalistas dedicadas a Conservação da Natureza em Terras Privadas: Confederação Nacional de RPPN (Presidente e Diretora Técnica), Associação de RPPN de Minas Gerais (Presidente)  e Instituto Sul-Mineiro de Estudos e Conservação da Natureza (Vice-Presidente).

Nos anos 80, após concluir o Bacharelado em Geografia, na Universidade Católica do Rio de Janeiro, fundou o Instituto Sul Mineiro de Estudos e Conservação da Natureza ao qual sempre se dedicou, coordenando vários projetos. Desde 1982 vem participando dos mais variados eventos, apresentando e publicando trabalhos de cunho científico e outros na temática ambiental e realizando palestras em vários fóruns e entrevistas para os meios de comunicação.  Em 1990 defendeu uma dissertação de mestrado em fitogeografia de plantas e conservação de florestas no departamento de geociências na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em 1991 como bolsista  do Conselho Britânico e da Fundação Botânica Margaret Mee estudou no curso de mestrado em conservação na University College London (UCL) e realizou pesquisas no Jardim Botânico de Kew, Londres. Nos anos 90, atuou no campo de políticas ambientais no cenário internacional, tendo participado de vários eventos, utilizando-se de sua fluência nos idiomas inglês, francês e espanhol e foi representante para o Brasil da Rede Latino-Americana de Bosques. A maioria destes eram promovidos pela ONU,  tais como o Painel Intergovernamental de Florestas, no qual foi consultora da delegação oficial do Brasil. Esteve  também envolvida com atividades de relações  públicas no ramo do Ecoturismo assim como foi professora de disciplinas na área de meio ambiente de algumas instituições de ensino técnico e universitário no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. Participou também de equipes de consultoria para projetos em Minas Gerais, tais como: Atlas de Biodiversidade de Minas Gerais, Planos Diretores Municipais, Revisão do Sistema Estadual de Unidades de Conservação  e projeto do PDA Mata Atlântica no qual elaborou o 1º Plano de Manejo de RPPN aprovado pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente.  Desde os anos 90 recebeu diversos diplomas e prêmios em homenagem à sua dedicação à causa conservacionista tais como o Diploma do Mérito de Proteção à Natureza  do Governo de Minas Gerais. Entre os anos de 2000 e 2001 trabalhou para a WWF Brasil coordenando o programa da Ecoregião/Serra do Mar.  Em 2002 defendeu uma tese de doutorado em avaliação de áreas protegidas através da modelagem de apoio à decisão no programa de engenharia de produção na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Participou de Conselhos Estaduais e Nacionais da APA Mantiqueira, da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica e de RPPN do IBAMA.  No período de 2005/2006  atuou como Coordenadora de Meio Ambiente e Saúde Pública na Prefeitura Municipal de Alfenas, desenvolvendo vários programas de política ambiental. Nos anos 2000 especializou-se  como tradutora inglês /português e como intérprete de conferências inglês / português na PUC – Rio. Desde 2001,  como uma das fundadoras da Associação de RPPN de Minas Gerais – ARPEMG, tem se dedicado intensamente à Conservação em Terras Privadas. Desde 2003 vem atuando na Diretoria da Confederação Nacional de RPPN. Em 2016 ingressou a Comissão Internacional de Áreas Protegidas da IUCN. Atualmente dedica-se a coordenação de projetos e promoção de eventos para as ONGs; ISMECN, ARPEMG  e CNRPPN.

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Setor de Comunicação

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Website.: www.rppnweb.com