Entrevistado da Semana: Joaquim Neto - Coordenador da SoS Sertão

Joaquim Neto - RPPN

JOAQUIM NETO - Coordenador da SOS Sertão

 

Nome:JOAQUIM ARAUJO DE MELO NETO
Formação:Geografo
Tempo que atua na área ambiental e com RPPN: 16 Anos
Nome da Instituição que trabalha: SOS SERTÃO
Cargo que ocupa na Instituição: Coordenador


Quando e como você conheceu as RPPN?
Conheci as RPPN desde de 2000 estudando a legislação federal e participando de eventos e debates sobre a questão ambiental na minha região.
 
Para você qual a importância das RPPN?
O quadro atual no tocante a conservação de áreas protegidas no Brasil, delega para as RPPN um papel super importante, pois, não só existe uma grande dificuldade de concluir os processos que estão atualmente no ICMBIO (me refiro aos processos de criação de grandes UC’s), bem como é visível a diminuição de grandes áreas ainda sem antropização o que ao meu ver caberá aos proprietários particulares a tarefa de proteger as pequenas áreas, e assim aumentar o numero de Unidades de Conservação.
 
A SoS Sertão recebe algum tipo de apoio?
Recebemos apoio através de projetos e editais, prestamos serviços ao programa nacional de credito fundiário, onde já foi possível prestar assistência a mais de 1000 famílias. Sempre com foco na conservação dos recursos naturais das propriedades. Através de um Termo de Reciprocidade que temos com o ICMBIO, divulgamos e apoiamos os proprietários que desejam criar RPPN.
 
Quais os principais trabalhos que a Instituição desenvolveu com as RPPN?
Em 2001, assinamos um acordo de Cooperação Técnica com o IBAMA para divulgar as RPPN na Paraíba, elaboramos um projeto para o FNMA no sentido de elaborar o Plano de Manejo da RPPN Almas (a maior RPPN da Paraíba). Estamos criando, no Piauí a primeira RPPN do Programa Nacional de Credito Fundiário e em 2014 assinamos um Termo de Reciprocidade com o ICMBIO(CR6) para apoiar a criação de RPPN em toda sua jurisdição. Também iniciamos a divulgação da RPPN no Maranhão, onde já foi possível identificar 4 proprietários que em breve iniciarão o processo de criação. Com o objetivo de aumentar ainda mais o número de RPPN no Nordeste criamos também o PROJETO RP100 que busca a doação de recursos via internet para comprar áreas prioritárias e transforma-las em RPPN.
 
Pode explicar melhor o projeto RP100?
A iniciativa consiste em identificar áreas que tenham potencial para transformar em RPPN e através de campanhas de doação conseguir comprá-las. Neste caso as propriedades serão totalmente transformadas em RPPN e ficarão sob nossa responsabilidade. Decidimos promover este projeto na certeza de que poderemos salvar muitas áreas que ainda podem ser desmatadas para projetos agrícolas e outros fins. Achamos que uma ideia inovadora e que pode mudar o rumo da Conservação de muitas áreas no Nordeste.
 
Qual a principal dificuldade em trabalhar com as RPPN?
Sempre achei que quem tivesse o desejo de criar uma RPPN o fizesse somente pelo fato de querer proteger a área, mas com o passo do tempo comecei a me perguntar: se um proprietário recebe financiamento publico ou mesmo privado para plantar alguma cultura e consequentemente alterar a cobertura vegetal da propriedade porque então um proprietário que preserva não tem o mesmo apoio?
A maioria dos proprietários não veem nenhuma vantagem em criar RPPN, para mim este é o principal desafio de aumentar as RPPN.
 
Quais são as suas expectativas com relação às RPPN no Brasil?
Não há como negar que as RPPN irão desempenhar um importante papel na conservação dos recursos naturais em todo o Brasil. No tocante ao Nordeste a minha expectativa é que o Poder Público e a sociedade em geral possa se unir em torno desse objetivo. É preciso garantir para os proprietários benefícios reais e ao mesmo tempo a participação destes nas politicas votadas a proteção e gestão das RPPN.

 

 

 

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